segunda-feira, 11 de agosto de 2008

O ano do emprego

O ano de 2008 ainda não terminou, mas já marca uma nova e expressiva geração de empregados formais no Espírito Santo. O primeiro semestre foi o melhor dos últimos dez anos em saldo de vagas com carteira assinada, segundo os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.

Foram criadas no Estado 31.074 vagas ? saldo entre 208.144 admissões e 177.070 demissões. São 11.390 a mais do que em igual período de 2007.

Os setores estão otimistas, em especial a construção civil e a indústria da transformação ? nos grandes centros ? e a agricultura em municípios menores. Embalados pelo crescimento econômico e novos investimentos, áreas como comércio e serviços também vão contratar mais e estão numa busca incessante por trabalhadores qualificados.

As áreas que demandaram mais profissionais foram as ligadas à prestação de serviços (10.399), à construção civil (6.021), e à agropecuária (5.770). O número de postos oferecidos este ano só foi superado pelos 12 meses de 2004, 2005 e 2006. Os dados mostram ainda que, de janeiro de 1999 até junho de 2008, foram criadas 241.076 vagas (saldo) em terras capixabas.

Um desses empregos formais foi ocupado pela técnica em edificações Mônica Alves. Ela começou a trabalhar como estagiária em uma empresa de construção civil há um ano e três meses e hoje, aos 20 anos, a jovem lidera uma equipe de quase 30 pessoas.

"Dos colegas que se formaram comigo - eram umas 25 pessoas - posso afirmar que, praticamente, todos conseguiram emprego no setor de construção civil, alguns em obras, outros em escritórios. Só aqui na empresa onde trabalho, há duas pessoas formadas na mesma turma".

No próximo ano, Mônica pretende continuar os estudos. "Planejo fazer Engenharia Civil. E recomendo a quem ainda não optou por uma área, que faça primeiro um curso técnico, porque se o curso não oferecer o conteúdo esperado, é mais simples mudar e começar novamente. No meu caso, há também a questão de que, com o dinheiro que ganho com meu trabalho, posso agora pensar em entrar em uma faculdade particular, caso não consiga ingressar em uma universidade pública", completa.

Força no interior

A diretora-presidente do Instituto Jones dos Santos Neves, Ana Paula Vescovi, cita, em números absolutos, a construção civil e a área industrial como os setores que fomentam a onda de empregos. Ela salienta, entretanto, a necessidade de observar a força dos pequenos municípios.

"Comparando-se o saldo de vagas em relação ao número de habitantes de um município, somente uma grande cidade do Estado - Vitória - aparece entre os dez municípios que mais geraram vagas. Na capital, foram 22 postos por mil habitantes".

A diretora explica que, no Estado, é possível observar que o número de vagas relativas aumenta fortemente no setor agropecuário.

"Conceição da Barra, no Norte, é um exemplo do processo que ocorre nas pequenas cidades. No primeiro semestre, a indústria da transformação - impulsionada pelo beneficiamento da cana-de-açúcar - ajudou na geração de 2.291 vagas no local. Ao todo, foram 87 postos para cada mil habitantes".

Ana Paula Vescovi citou ainda os exemplos de Pedro Canário, que teve um saldo de 979 vagas, o que equivale a 42 vagas por mil habitantes; Pinheiros, com 931 postos (41 vagas por mil habitantes); e Jaguaré, onde surgiram 552 vagas no primeiro semestre (25 para mil habitantes).

"A geração de empregos nesses locais está intimamente ligada à agricultura", completou ela.

O QUE DIZEM OS SETORES

Indústria de Transformação

"O ano de 2008 já está com saldo positivo, mas o pico de oferta de empregos no Estado será entre 2009 e 2010. Serão necessários trabalhadores com qualificação ou experiência", declarou o presidente do Centro Capixaba de Desenvolvimento Metalmecânico (CDMEC), Fausto Frizzera. Ele afirma ainda que o 2º semestre será promissor. "Serão abertas vagas para supervisores, engenheiros e técnicos. Essas áreas têm muita demanda, no entanto, é necessário frisar que a maior parte das empresas exige qualificação e experiência".
Serviços

Apesar da ótima atuação do setor de serviços no primeiro semestre de 2008 ? foram 10.399 novas vagas ? o presidente do Sindibares, Wilson Vettorazzo Calil, afirma que a previsão para o 2º semestre não é otimista. Ele estima que 30% das vagas podem ser extintas no período. "Falamos em algo em torno de 10 mil a 12 mil pessoas que podem perder o emprego". O motivo, segundo ele, é a Lei Seca, que diminuiu o movimento em bares e restaurantes. O setor aguarda a decisão da Justiça. "Espero que tenhamos boas notícias para o setor nos próximos 15 dias", disse.

Construção Civil

A indústria da construção civil no Estado é um dos setores que mais crescem e precisam de mão-de-obra especializada, segundo o diretor de relações trabalhistas do Sindicon, Francisco Mill. "A construção civil, em uma economia crescente, é a primeira área que se movimenta". O setor precisa de pedreiros, carpinteiros, armadores e até engenheiros, segundo Francisco. Para o próximo semestre: "Se temos a construção civil crescendo na faixa de 10%, poderia dizer que a necessidade de mão-de-obra vai crescer no mesmo ritmo".

Comércio

"Quem se qualifica ou tem experiência não fica um minuto desempregado e até escolhe onde quer trabalhar", afirmou o presidente da Câmara de Dirigentes Logistas (CDL) de Vitória, Estanislau Ventorim em relação à oferta de vagas no setor varejista no Estado. Segundo ele, a demanda por profissionais tende a aumentar pelo menos 10% até o final do ano. Ele destaca que o mercado está aberto para quem possui experiência ou qualificação profissional. "Essa é uma perspectiva real. Mas, próximo ao fim do ano, esse percentual tende a aumentar muito mais".

Agricultura

O agronegócio respondeu pela geração de quase seis mil empregos no primeiro semestre, mas esse número poderia dobrar, de acordo com o presidente da Federação da Agricultura do Estado (Faes), Júlio Rocha Júnior. "Entre os responsáveis estão os programas sociais, que visam à redistribuição de renda. Eles têm um lado positivo. No entanto, provocam rejeição por parte dos trabalhadores para a formalização da contratação". A maior demanda, segundo Júlio, está em atividades ligadas ao café, como colheita, beneficiamento, técnicas de plantio e na área de pecuária de leite.

Extrativismo Mineiral

"O pior já passou. Acredito que, até meados de 2009, o setor chegará à estabilidade", afirmou o presidente do Sindirochas, Áureo Mameri, em relação à retração das vagas no setor no 1º semestre (-252). Mameri ressalta três fatores para a queda: a exportação voltada para o mercado americano e, com a crise, gerou queda de 10% nas vendas, a queda do dólar e a questão ambiental. Segundo ele, os órgãos responsáveis não conseguem suprir as mineradoras com as licenças, portanto muitas pedreiras precisaram paralisar os trabalhos.

Fonte: Fernanda Zandonadi - Gazeta Online

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